Avanço da extrema-direita: O NEOLIBERALISMO E O COLAPSO DOS REGIMES DEMOCRATIZANTES

Avanço da extrema-direita: O NEOLIBERALISMO E O COLAPSO DOS REGIMES DEMOCRATIZANTES

Avanço da extrema-direita
O NEOLIBERALISMO E O COLAPSO DOS REGIMES DEMOCRATIZANTES
A evolução política levou ao esgotamento do regime político democratizante, uma vez que os partidos e lideranças tradicionais se mostraram comprometidas com o neoliberalismo

Antonio Eduardo Alves de Oliveira

O aparecimento da política econômica de terra arrasada conhecida como neoliberalismo expressou uma ação política deliberada dos capitalistas para depositar o ônus da crise econômica de 1974 na conta dos trabalhadores e dos setores sociais populares. Os dispositivos econômicos e sociais como a privatização, a flexibilização dos direitos trabalhistas, o desmonte dos direitos sociais e a desregulamentação financeira representaram uma profunda transferência dos recursos dos trabalhadores para financiar os negócios capitalistas, em especial para o capital especulativo.

Em um primeiro momento, em meados da década 1980, os regimes democratizantes foram instrumentalizados para implementar o neoliberalismo (em que pese o fato de que a ditadura chilena foi um dos laboratórios principais do monetarismo). Para isso, aplicou-se uma série de mecanismos de manipulação política, como as permanentes campanhas da imprensa venal, a corrupção financeira pura e simples, as fraudes eleitorais para forjar maiorias nos parlamentos e governos. Assim, jornalistas e intelectuais foram recrutados para vincular venenos ideológicos sobre a vantagem do “livre mercado”.

As “instituições democráticas” foram aperfeiçoadas para garantir a nova “governança” globalizada neoliberal: partidos, líderes políticos e até mesmo parlamentos inteiros foram comprados para aprovar leis, projetos e uma legislação de acordo com os novos tempos.

Depois de idas e vindas políticas, os governos neoliberais de direita foram substituídos por governos neoliberais de esquerda, que também sofreram desgastes, e depois foram substituídos por outros etc. Na América Latina, a aplicação do que se convencionou chamar de receituário neoliberal do Consenso de Washington levou à pobreza e à miséria absoluta milhões de pessoas, o que provocou a derrota dos partidos tradicionais da direita e o estabelecimento dos governos nacionalistas de centro-esquerda no início do século XXI.

A crise econômica intensificou-se com a crise hipotecária norte-americana de 2008, cujo remédio paliativo foi uma colossal transferência de recursos públicos para o “resgate” dos bancos e do sistema financeiro. Entretanto, o suposto retorno ao “keneyianismo” para lidar com a crise foi imediatamente substituído por políticas monetaristas ainda mais austeras, com uma obsessão dos governos pela “responsabilidade fiscal” e pelo retorno da “austeridade”. Os governos implementaram, com mais intensidade ainda, a política neoliberal. A crise da dívida soberana na Europa, com o colapso da Grécia, é um dos exemplos mais evidentes disso.

Essa evolução política levou ao esgotamento do regime político democratizante, uma vez que os partidos e lideranças tradicionais se mostraram comprometidos com o desmonte dos direitos, com o esfacelamento econômico, com o aumento do desemprego e com a piora das condições de vida.

O aparecimento de agrupamentos de direita e mesmo de extrema-direita relaciona-se com o agravamento da crise econômica e seus efeitos devastadores na sociedade, bem como com o esgotamento dos partidos tradicionais do jogo institucional.

O comprometimento dos partidos da esquerda parlamentar com as políticas neoliberais ocasionou o crescimento eleitoral da “nova direita” e a eleição de candidaturas de direita ultraconservadoras em partidos tradicionais da direita, como os Republicanos nos Estados Unidos com Trump e os Conservadores na Inglaterra com Boris Jonhson.

Na América latina, também houve o crescimento dessa extrema-direita. Entretanto, o método privilegiado para a conquista de poder diante do fracasso dos partidos tradicionais da direita foi a aplicação em larga escala de golpes de Estado. Em Honduras, no Paraguai, no Brasil e, mais recentemente, na Bolívia, a chegada à presidência de governos de direita relaciona-se com a aplicação de uma política abertamente golpista.