junho 21, 2017

ASSEMBLEIA DA APUR APROVA CONTRUÇÃO DAS DIRETAS JÁ E PARTICIPAÇÃO NA GREVE GERAL

Em assembleia geral da Associação dos Professores Universitários do Recôncavo (APUR) nesta terça-feira (20), os docentes da UFRB aprovaram a construção das Diretas Já e a participação na Greve Geral do próximo dia 30. Reunidos no novo endereço do Centro de Cultura, Linguagens e Tecnologias Aplicadas (CECULT), os docentes chegaram à conclusão de que o meio mais eficaz para se combater o governo golpista e suas reformas que retiram os direitos da classe trabalhadora é o estabelecimento de um novo governo eleito pelo povo.

Defendendo as Diretas Já, o presidente da APUR, David Teixeira, lembrou que cada vez mais se acentua uma crise dentro do golpe (o chamado golpe dentro do próprio golpe), onde o escolhido já não consegue dar conta da pauta golpista, que era avançar nas reformas. “Nesse cenário, o que abre para nós, enquanto organização, é o objetivo de queda do governo Temer, e que uma nova organização política do país tem que passar pelas mãos dos trabalhadores e trabalhadoras”, defendeu David.

O presidente da APUR ainda defendeu a necessidade de avanço enquanto classe, e que isso está ligado à adesão da Greve Geral, pois é um momento não só de lutar contra o governo golpista, mas também contra as reformas colocadas.  “A classe trabalhadora coloca o dia 30 como elemento central para a Greve Geral. Precisamos atualizar nossas ações e colocar nossa associação engajada na construção desse momento. Considerando, em primeira instância, que é preciso derrubar o governo Temer. Atacando as medidas do governo golpista é que vamos derrubar o governo”.

Refletindo sobre as Diretas Já, o professor Aroldo Félix Júnior, representante sindical do CETENS, colocou que estamos vivendo uma situação complexa, pois temos enfrentado uma conjuntura de arrocho muito grande para a classe trabalhadora, para a população pobre de nosso país. Para o professor, as inúmeras reformas, e agora esses últimos escândalos das delações, fica explícito que quem manda no congresso são os empresários. “Nós estamos vivendo num país em que democracia está em queda total. Estamos vivendo a democracia das grandes empresas. O povo está desacreditado no processo, porque vê seu voto não resolver. Eu acho que a eleição indireta é o pior cenário. Então as Diretas acabam sendo uma possibilidade. Agora, de que forma nós vamos fazer essa eleição direta? Com essa democracia que está sendo colocada aí? Precisamos refletir um pouco mais e defender uma democracia de fato popular”, concluiu o professor Aroldo.

Apesar de não ter tido voto contrário, houve quem não concordasse inteiramente com a campanha das Diretas Já. O representante sindical do CAHL, Antonio Eduardo Oliveira, acredita que a campanha das diretas não seja uma luta para derrotar o golpe, mas sim uma adaptação ao golpe, pois respeitar o direito do voto popular é respeitar a presidente que foi eleita. “Se a gente diz que houve o golpe, para derrotá-lo a gente tem que voltar para o governo eleito. Todas as denúncias têm mostrado que o impeachment foi comprado, é um impeachment fraudulento. A política de diretas é uma política, sobretudo, de virar a página. É uma adaptação política. Não que eu seja contra as diretas, nós temos que defender o voto, mas temos que ter tudo bem claro”, explicou o professor.

Contribuindo com o recorrente questionamento de qual meio de luta usar, a professora Fátima Aparecida Silva, diretora executiva da APUR, afirmou que está faltando radicalizar o movimento. Radicalizar no sentido de chamar atenção para as lutas que foram feitas no passado, mas que atualmente vem sendo desconsiderado. “Eu estive em Brasília, e voltei mais animada e acreditando em nossa juventude. Inclusive, eu acho que em Brasília a gente deveria ter radicalizado mais, teria que ter ido mais para o enfrentamento. Para mim, o enfrentamento é a unidade da classe trabalhadora, é a unidade da universidade com a sociedade”, completou a professora.

Quanto à participação na Greve Geral do dia 30, ficou acertado a construção de ações conjuntas com as demais categorias da UFRB, com os trabalhadores e com os movimentos populares em todos os campi. A assembleia ainda aprovou os nomes dos professores José Arlen de Matos (suplente do tesoureiro da APUR) como delegado e Maicelma Souza (representante sindical do CFP) como observadora no 62º CONAD do ANDES-SN, que ocorrerá no período de 13 a 16 de julho, em Niterói/RJ.