Memórias da APUR: greve de 2012

Dando continuidade às postagens comemorativas do mês de aniversário da APUR, lembraremos, hoje, da Greve de 2012. Você recorda desta luta importante da nossa seção sindical? A Greve de 2012 foi um dos momentos inesquecíveis de mobilização da APUR, em conjunto com outras entidades docentes de todo o Brasil. Na ocasião, reivindicamos, em síntese, a reestruturação da carreira docente e melhores condições de trabalho. A greve nacional durou 125 dias e contou com a adesão de 60 Institutos Federais de Ensino. Na época, assim como vem acontecendo atualmente, o centro do debate era que o governo federal demonstrava pouco comprometimento com as condições de trabalho e com a resolução das distorções salariais. A crise começou quando, em 2011, o governo acordou 4% de aumento para a categoria. Este reajuste entraria em vigor somente no ano seguinte. Os valores não cobriam as perdas inflacionárias da época e, para piorar a situação, foram executados parcialmente. Início da greve No dia 17 de maio de 2012, em âmbito nacional, as entidades sindicais deflagraram a greve, sendo esta uma das mais duradouras da história. No mesmo período, durante a gestão sindical do professor Herbert Toledo Martins, a APUR realizou uma série de assembleias gerais, que contou com a adesão de dezenas de filiados e deliberou pela deflagração da greve na UFRB. A paralisação das atividades acadêmicas foi seguida por uma intensa luta docente. Surgiram as Maniçobas Políticas, os Cafés da Greve, passeatas históricas, seminários de formação a respeito da greve, manifestações conjuntas com seções sindicais do Recôncavo, dentre outras. Todas estas manifestações sedimentaram a recém-criada seção sindical do ANDES no interior da Bahia, a APUR, bem como contribuíram para a disseminação do conhecimento da causa. O momento riquíssimo da nossa história foi fotografado e filmado. Os registros podem ser vistos abaixo: Conquistas A greve durou até o dia 13 de setembro de 2012 na UFRB e só foi encerrada após o envio do PL 4368/12 pelo governo federal, que aprofundou a desestruturação da carreira, com reajuste dos salários base, variando entre 25% e 40% em relação a março de 2012, dependendo do nível da carreira, parcelados em: 50% em 2013, 30% em 2014 e 20% em 2015. Além disso, também conseguimos que o cargo de titular, antes provido por concurso público como uma carreira distinta, fosse incluído como uma classe nas carreiras do Magistério Superior e de EBTT. Este texto contém informações do ANDES-SN.
ASSEMBLEIA GERAL DA APUR – 19/09 – AUDITÓRIO PRPPG – 9H
UMA BATALHA FOI ENCERRADA, MAS A LUTA CONTINUA!
UMA BATALHA FOI ENCERRADA, MAS A LUTA CONTINUA! Após quatro meses de paralisação a última assembleia, em consonância com a orientação de saída unificada, indicou a suspensão da paralisação e o retorno das atividades a partir de segunda-feira, dia 17 de setembro. Foram 120 dias de batalha no sentido da reposição de perdas salariais, reestruturação da carreira e de melhores condições de trabalho. O governo foi surpreendido com a forte mobilização nacional e foi obrigado a ceder, revendo suas propostas iniciais e se fazendo representar nas mesas de negociação. Esta realidade forçou alguns avanços, conforme divulgamos em diversos boletins e nas assembleias que realizamos. O governo foi intransigente e, em conluio com uma entidade pelega de baixa representação nacional, fechou um simulacro de acordo e encerrou as negociações. Pensaram, tanto o governo, quanto este setor pelego, que este ato seria suficiente para gerar refluxo no movimento e forçar seu encerramento. Ledo engano! Os professores não apenas repudiaram tal atitude como passaram a cobrar efusivamente a reabertura das negociações, tendo como suporte a maioria esmagadora da categoria em greve. Além disso, o poder executivo foi obrigado a encarar o desgaste político de seus aliados pelegos, já que mesmo nas universidades em que esta associação atua, os docentes permaneceram em greve, forçando os dirigentes sindicais a derrotas esmagadoras em suas assembleias. Como não dava para encarar de frente a realidade, partiram para a estratégia da consulta online, com a clara intenção de confundir a comunidade acadêmica e a opinião pública. Mais uma vez fracassaram. Chegaram a declarar que os professores da UFRB apoiaram o tal indicativo de fim da greve e insistiram na tese de que a APUB representa os/as professores/as do Recôncavo. De nada adiantou! De todos os erros cometidos pelo governo e seu braço sindical, um deve ressaltado: a prepotência. Tentaram ludibriar a opinião dos professores com argumentos e atitudes que ignoravam a capacidade de discernimento da categoria. Imaginaram, de forma laconicamente imatura, que seguiríamos as orientações do circo criado com o suposto acordo. Não conseguiram sequer fazer a correta leitura de suas bases e, o que é pior – ou melhor, dependendo do ponto de vista – é que colocaram em xeque entidades que ainda representam, contribuindo para consequências que, temos certeza, virão de forma avassaladora, como a destituição da diretoria da APUB na UFBA. Ignoraram que os professores da UFRB não apenas ratificariam de forma esmagadora e inquestionável o papel representante da APUR, como também optariam, de forma madura e consequente, por ignorar tais ataques e não mais responder a uma entidade que não nos diz respeito. Caminhamos juntos com os colegas que se juntaram no Comando Nacional de Greve, abrigados no ANDES-SN. Compusemos o CNG e enviamos representantes que permaneceram longos períodos em Brasília, contribuindo com a organização do movimento. A APUR e a UFRB se fizeram representar em nível nacional, o que contribui de forma decisiva para o definitivo estabelecimento do papel autônomo de nossa representação sindical. Além do fortalecimento da APUR, o movimento paredista trouxe, no âmbito local, importantes consequências que, mesmo de forma superficial, merecem ser aqui citados. Primeiramente, não é preciso enfatizar o descaso com as condições de trabalho e estudo que vivemos em nossa UFRB. O governo estimulou um projeto multicampi que, se por um lado tem importante papel no desenvolvimento da região, por outro deixa as claras o descaso com a qualidade dos serviços prestados pela instituição. Estudantes, servidores técnico-administrativos e docentes sofrem com a ausência de instrumentos básicos para a execução de suas atividades. A falta de ambiente adequado para as ações de ensino e pesquisa, a ausência de equipamentos básicos como auditórios, gabinetes, RU, quadra poliesportiva, climatização, laboratórios e segurança são claros exemplos deste descaso. Neste sentido, o movimento grevista, além de pugnar pela reparação das questões citadas anteriormente, foi fundamental para que pudéssemos pautar esta realidade e denunciá-la em nível nacional. Hoje, de certo, a sociedade está a par dos problemas que enfrentamos. Além disso, pudemos estabelecer mesas de negociação de pautas locais com a reitoria e seguiremos vasto calendário para forçar de vez o reconhecimento da situação e o efetivo enfrentamento desses problemas, principalmente dos que podem ser resolvidos imediatamente. Pudemos ainda, durante este período, dialogar com estudantes e servidores técnicos administrativos no intuito de unificar algumas ações. Isto, sem dúvida, trará resultados. Ainda cabe ressaltar aqui o que, para nós, foi a maior conquista do movimento: o estreitamento das relações do corpo docente. O Comando Local de Greve foi formado no dia 17 de maio por representantes de todos os centros. Contando, posteriormente, com novas inserções, o CLG sempre contou com boa representação. Realizamos atividades e assembleias em todos os centros e tivemos a oportunidade de propiciar aos professores o trânsito entre os municípios, o que contribuiu tanto para o conhecimento de outras realidades, quanto para o estreitamento das relações pessoais e profissionais. Hoje, podemos afirmar que os colegas tem mais motivos para se sentirem membros de uma universidade, e não apenas de um centro. O estreitamento das relações será fundamental para o futuro de nossa instituição. A UFRB não mais será a mesma. Há que se ter claro que, para os novos capítulos da saga de implantação da universidade no Recôncavo, a qualidade de intervenção docente será muito mais efetiva, eficaz e propositiva. Por fim, sabemos que os desafios estão postos e que a luta, em defesa da educação, continua. Neste instante, encerramos, de forma vitoriosa, uma das batalhas. Outrossim, temos certeza que, a considerar a qualidade de intervenção que pudemos verificar durante este período, nosso futuro é muito promissor. A vontade demonstrada por muitos colegas é um termômetro do que vem por aí. Este Comando Local de Greve se dissolve a partir de agora. Agradecemos a tod@s que, junto conosco, construíram esta bonita página da história da UFRB. Cruz das Almas, 13 de setembro de 2012. COMANDO LOCAL DE GREVE – CLG Albany Mendonça Silva (CAHL); Alessandra Nasser Caiafa (CCAAB); Ana Cristina Nascimento Givigi – Kiki (CFP); Antônio Eduardo Alves de
COMANDO NACIONAL DE GREVE – COMUNICADO ESPECIAL – 16/09/2012 – Avaliação Política
A greve nacional dos docentes das IFE, que neste dia 17 de setembro completa 4 meses, constituiu-se em torno de uma pauta com dois pontos – reestruturação do plano de carreira e valorização e melhoria das condições de trabalho,- a partir da realidade, dos interesses e demandas dos docentes e foi potencializado por um movimento forte pelas bases. Essa greve foi marcada pela intensa mobilização interna e ações unitárias dos segmentos da educação, que envolveram criatividade e radicalização em conjunto com estudantes e técnico-administrativos, o movimento evidenciou, para a comunidade acadêmica e para a sociedade, a disputa por projetos distintos de educação. Visualizar o arquivo completo em .pdf – clique aqui
16/09/12 CNG Informa – Suspensão unificada da greve nacional dos docentes das Instituições
16-09 CNG Informa O CNG/ANDES – SN, após criteriosa avaliação do quadro das assembléias gerais, encaminha a suspensão unificada da greve nacional dos docentes das Instituições Federais de Ensino no período entre 17 e 21 de setembro e comunica o respectivo encerramento das atividades deste comando no dia de hoje. Foram estabelecidas várias ações para a continuidade da mobilização da categoria no enfrentamento dos ataques à educação pública federal que estão materializados no PL 4368/12. Seguimos fortes na defesa da reestruturação da carreira e na luta pela valorização e melhoria das condições de trabalho. A luta é forte, a luta é agora!!!