Em votação histórica, docentes da UFRB declaram greve durante Assembleia Geral da APUR

Os/as professores/as da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) deliberaram por aderir à greve docente nacional, nesta quinta-feira, 9. A decisão aconteceu durante a Assembleia Geral da Associação dos Professores Universitários do Recôncavo (APUR), que ocorreu em Cruz das Almas. De acordo com a votação, que abrangeu filiados e não filiados, o movimento paradista começa na próxima segunda-feira, 13, respeitando o prazo mínimo de 72 horas para o início. Ao todo, 288 professores/professoras participaram da assembleia. Foram 221 votos favoráveis à greve, 36 contrárias e 9 abstenções, que totalizaram 266 votos. Após a aprovação, os/as docentes votaram sobre o início da greve. Por 191 votos favoráveis contra 44 votos contrários e 12 abstenções ficou decidido que o movimento começa nesta segunda-feira, 13, 72 horas após a notificação de greve à reitoria. Campanha salarial e recomposição orçamentária A deflagração de greve na UFRB é uma resposta ao congelamento dos salários deste ano proposto pelo governo federal, bem como a manutenção dos cortes orçamentários na instituição, que ocorrem desde o governo Temer, em 2016. É necessário e urgente que o governo volte a priorizar a educação, reconhecendo as necessidades da categoria e acatando-as. Além da UFRB, cerca de outras 50 Instituições Federais de Ensino Superior (IFES) também tiveram as atividades docentes paralisadas.
APUR participa de audiência pública na ALBA

A diretoria da Associação dos Professores Universitários do Recôncavo (APUR) participará da audiência pública “O Ensino Federal na Bahia e os cortes orçamentários de 2024”, que acontecerá às 9h30 desta quarta-feira, 8, no auditório Jorge Calmon, na Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA), em Salvador. O encontro debaterá a situação de crise da educação pública federal a partir do ponto de vista dos servidores que lidam todos os dias com condições precárias de trabalho. De acordo com estudo da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), as universidades federais precisam de R$ 2,5 bilhões a mais no orçamento para se sustentar. Ainda conforme a associação, o orçamento deste ano é equivalente ao ano de 2008 e despreza o aumento do quadro de servidores e de estudantes que estas instituições tiveram nos últimos anos. O cálculo orçamentário deste ano vai na contramão da promessa feita durante o período de campanha do governo federal e mantém patamares muito similares ao orçamento praticado pelos governos Temer e Bolsonaro. Assembleia Geral da APUR Nesta quinta-feira, 9, a APUR realizará uma Assembleia Geral. O encontro docente ocorrerá às 9h, no auditório do PPGCI, em Cruz das Almas. Lá deliberaremos sobre a greve docente na UFRB, discutiremos a conjuntura orçamentárias das Instituições Federais de Ensino Superior (IFES) e a campanha salarial 2024. Participe!
Porque defender a greve na educação: a greve é justa, oportuna e necessária!

Autoras: Heleni Duarte Dantas de Ávila (CAHL/UFRB) Jucileide Ferreira do Nascimento (CAHL/UFRB) Com o aumento da adesão à greve na educação, por parte de um grande número de Universidades e Institutos Federais, algumas alegações surgem, tais como: não é o momento; no governo anterior não foi feita mobilização ou pressão; esta é uma greve contra o governo Lula e muitos outros. Assim, sentimos necessidade de avançarmos neste debate e trazer argumentos que vão de encontro aos questionamentos anteriores. Reajuste zero não nos interessa! Defender a greve é defender a democracia, é defender o governo Lula! *Este é um texto de opinião publicado no “Espaço do Professor/a”, aberto a todos/as filiados/as. Como todos os textos desta seção, não necessariamente reflete a opinião política da diretoria da APUR.
Docentes paralisam atividades no dia 9 de maio para participar da Assembleia Geral da APUR

As atividades docentes da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) serão paralisadas no dia 9 de maio, na próxima quinta-feira, data da Assembleia Geral da Associação dos Professores Universitários do Recôncavo (APUR). A decisão partiu de um pedido coletivo dos/das professores/professoras durante as reuniões sindicais realizadas nos diferentes centros da UFRB, ocorridas de 22 a 24 de abril. O intuito é de criar as condições e de estimular a participação coletiva na discussão e votação sobre a greve docente. A paralisação ocorrerá nos turnos matutino e vespertino. Diante dos pedidos dos/das docentes nessas reuniões, a diretoria da APUR encaminhou um ofício à Reitoria da UFRB informando e oficializando a paralisação. Greve docente A Assembleia Geral da APUR da próxima quinta-feira, 9, ocorrerá no auditório da Pró-Reitoria de Pesquisa, Pós-Graduação, Criação e Inovação (PPGCI), localizado próximo ao prédio da Reitoria, em Cruz das Almas. A assembleia deliberará sobre a possibilidade de greve docente na UFRB e começará às 9h.Além da greve, haverá pautas relacionadas aos informes gerais do sindicato e à análise da conjuntura das reivindicações da categoria.É necessária a participação coletiva dos/das docentes da UFRB para tomarmos os melhores encaminhamentos sobre os rumos da educação pública de qualidade e de justas condições de trabalho.
POR QUE A GREVE?

Gabriel da Costa Ávila (APUR/CAHL/UFRB) Os rumores de uma greve geral da educação federal e a deflagração efetiva do movimento paredista pelos Servidores Técnicos-Administrativos em Educação das Universidades Federais e das duas categorias de servidores (técnicos e docentes) dos Institutos Federais reacenderam o debate sobre os motivos e o momento da greve. Muitos foram pegos de surpresa pela pauta, embora a precarização da educação e das condições de trabalho dos seus servidores não seja surpresa para ninguém. Desde 2015, o orçamento das Universidades Federais tem queda contínua, além de cortes arbitrários em valores já comprometidos. A Universidade é chamada para colaborar com o desenvolvimento nacional, com a valorização da cultura, com a proteção à vida e à saúde, com a formação dos jovens. Ao mesmo tempo, seus recursos são reduzidos, seus servidores são precarizados. A carreira docente amarga perdas inflacionárias superiores a 40% na última década. Os sindicatos da educação federal estão tentando construir uma solução negociada desde o final do ano passado, apresentando propostas de recomposição orçamentária e reajuste salarial. O que nós, docentes das Universidades Federais, apresentamos ao Governo Federal, era uma proposta que reduzia a perda orçamentária até a casa dos 25%, distribuídos em três anos. Um reajuste muito aquém do achatamento da carreira. Pior, muito aquém dos reajustes conferidos a outras categorias do executivo federal. Mas ainda viria pior, a contraproposta que nos foi apresentada acrescenta muito pouco à anterior, de forma mal distribuída e com incertezas sobre 2026. Essa contraproposta também ignora completamente qualquer recomposição orçamentária para as Universidades e condiciona a negociação à não realização da greve. Não passam de manobras de desmobilização da categoria docente. A greve é um instrumento de pressão da classe trabalhadora na defesa dos seus direitos. Esses direitos não são de interesse exclusivo da categoria, são de interesse da sociedade. Nós defendemos a Educação Pública de Excelência, a Autonomia e Democracia Universitária, a Saúde, as Ciências, as Artes e a Cultura. Esses direitos não serão plenamente garantidos sem recursos para as instituições que os mantém ou condições dignas de trabalho para os servidores que nelas atuam. Trabalhadores da educação, comunidade acadêmica e sociedade civil em geral precisam mobilizar suas bases e ampliar a compreensão do movimento, que levará certamente à solidariedade com os trabalhadores em luta por direitos. *Esse é um texto de opinião publicado no “Espaço do Professor/a”, aberto a todos/as filiados/as. Como todos os textos desta seção, não necessariamente reflete a opinião política da diretoria da APUR.