Prof. Dr. José Raimundo Santos
CAHL/UFRB
Três dias após a prisão do genocida da pandemia no Brasil, elas que quando se movimentam abalam as estruturas, se reúnem em Brasília e em marcha vão mais uma vez demonstrar a força das mulheres negras.
Num cenário político na qual a presidência se abstém de colocar no STF uma mulher negra, torna-se evidente a distância entre o pensar político da esquerda, que ainda insiste em dissociar raça do capitalismo. Esta é a consequência de um colonialismo que teve na raça sua principal força de trabalho, uma verdadeira alavanca que impulsionou formas exploratórias do negro, desumanizando e subalternizando esses indivíduos, tornando-os peças fungíveis numa estrutura de acumulação de capital cada vez mais violenta e selvagem. Mas diante da necessidade de mercado consumidor para a nova forma de colonialismo emergente, industrialização, houve uma troca do discurso, os corpos negros escravizados viraram operários explorados. E o explorador continuou o mesmo.
Vejamos, se o explorado e o explorador são os mesmos, logo o sistema apenas ganhou novo nome, mais um conceito a ser tratado na emergente teoria crítica e social da época.
Sim, as mulheres negras neste contexto estavam sempre na rabeira da exploração, seu corpo e sua alma sempre foram segregados e transformados em objetos, a comercialização do seu corpo já foi propaganda oficial do turismo em diversos contextos.
Mas foram elas que romperam com a segregação política do movimento feminista, tutelado por uma esquerda branca, e fizeram ecoar suas pautas no movimento das saias de Oya e no reflexo do Abebé de Oxum, iluminando o Ori da população negra e construindo pautas de identidade e fortalecimento da autoestima.
Essas mulheres pretas romperam com a fungibilidade, tornaram-se essenciais e protagonistas de um fazer político que agrega e fortalece seu ser.
Amanhã teremos mais certeza ainda que essas mulheres pretas, algumas mães pretas de meninos pretos, estarão em marcha e luta, defendendo a tod@s (não é documento oficial) nós e reivindicando algo que nos foi negado em sua essência, a liberdade e a igualdade para um BEM VIVER.
Boa marcha para tod@s nós!!!
*Esse é um texto de opinião publicado no “Espaço do Professor/a”, aberto a todos/as filiados/as. Como todos os textos desta seção, não necessariamente reflete a opinião política da diretoria da APUR.
