A invisibilidade silenciosa

A ação do governo ao silenciar-se representa uma tentativa de enfraquecer o movimento pela base. Lembro a todos que o movimento atual constituiu-se pela base, que o nosso sindicato nacional e, aquele outro, naquele momento, não estavam dispostos, nem acreditavam que este movimento ganharia as proporções que tomou. Assim sendo, ao retirar-se o diálogo, enfraquece-se os “porquês” das reuniões e das assembleias, esvazia-se os discursos e as análise, provocando um distanciamento dos líderes para com a base.

Este movimento estratégico do governo deve ser combatido. E, a criação de novos motes e razões para estarmos juntos em assembléia, fortalecendo o movimento, não deve ser pautada pelo silêncio do governo, mas sim, pelas condições que orientam nossa existência docente e as nossas condições de desenvolvimento da pesquisa, extensão e, principalmente, ensino, nas nossas universidades.

Silenciar-se representa não reconhecer e enfraquecer aquele que dialoga consigo, significa destituir do outro a identidade de quem busca e almeja a fala, representa o esvaziar dos sentidos atribuídos as suas ações, logo destitui as lideranças e enfraquece a coesão e as motivações para continuarem lutando. Ou seja, o Governo Dilma não nos reconhece e, antes de mais nada, não reconhece nossas falas, conceitos, idéias, conhecimentos, logo, não reconhece a nossa condição de docentes do ensino superior e, neste sentido, apresenta a primeira carta para caminhar rumo ao sucatemaento do ensino superior público, quer seja; A desvalorização do Docente do ensino superior.

Temo que esta ação de sucateamento esteja, discursivamente e ideologicamente, aliada ao processo de expansão, temo ainda, que estes supostos representantes do Partido do TRabalhadores, estejam aliando os seus discursos para afirmar que o ingresso de alunos de origem popular nas IES acelerou o sucateamento do ensino superior, tal como ocorreu com o processo de universalização do ensino público – médio e fundamental – na década de 60 do século passado. TEmo que aquilo que foi ideologicamente defendido por inúmero dos jovens docentes das IFE’s agora torne-se a bandeira do descaso e do sucateamento, constuído por este governo que volta-se contra os trabalhadores e desonra as premissas e os valores programáticos que deram origem a este partido.
Este governo é  sarcástico quando assim age, pois a ditadura e os neo-liberais, assim trataram muitos destes que atualmente estão no governo. E eles nos respondem com a violência de que foram vítimas e, neste sentido, tornam-se vitimizadores ainda mais vorazes do que os primeiros, pois sentiram na pele e agora redirecionam para os servidores públicos federais toda a violência que os marcou, quando não na pele – com cicratizes e mutilações -, na mente – com depressão e loucura. É isto que eles querem quando nos invisibilisa.Reitero que, esta violência atinge também,  muitos docentes que com sangue e dedicação ajudaram a construir esse Partido, cujas propostas implicavam em Educação Pública e de Qualidade, Valorização do Professor e Salários Dignos para o Trabalhador Brasileiro. Assim sendo, estes que hoje governam não se diferenciam dos algozes do passado, pois desonram as mortes nas prisões e nas trincheiras de luta, quiçá, foram traidores desde aqueles momentos! Eles tornaram-se cúmplices dos assassinatos e mortes violentas de caráter político que aconteceram no Brasil, no século próximo passado e, quiçá, no futuro que nos aguarda. Estas ações serão registradas na história como a maior traição de que foram vítimas os TRABALHADORES brasileiros.
Assim, conclamo os colegas e acredito que devemos ficar atentos pois a CARREIRA DOCENTE não é SALÁRIO e, o nosso debate deve estender-se para além das estratégias de silenciamento e invisibilidade que nos impõe este governo anti-democrático, devemos proporcionar encontros de caráter formativo e estratégico que deem visibilidade a carreira docente e sua importância para o desenvolvimento do país.
Continuamos na LUTA,
José Raimundo de J Santos – Professor da UFRB

Boletim APUR

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