REUNIFICAR O MOVIMENTO DOCENTE: SUPERAR O DIVISIONISMO E A FRAGMENTAÇÃO

REUNIFICAR O MOVIMENTO DOCENTE: SUPERAR O DIVISIONISMO E A FRAGMENTAÇÃO Antonio Eduardo Alves de Oliveira Professor da UFRB e colunista do Diário Causa Operária Na medida em que os ataques às universidades e à educação públicas estão sendo intensificados pelas forças golpistas, fica cada vez mais evidente a necessidade de uma articulação nacional dos trabalhadores e dos movimentos sociais e populares. É claro que esse processo de reorganização não é fácil, e passa, necessariamente, por uma política de frente única em defesa dos direitos democráticos e sociais das massas populares, em que o fortalecimento das entidades e organizações de luta dos trabalhadores é ponto crucial. De uma forma muito rápida, importantes conquistas históricas dos trabalhadores e do povo em geral estão sendo atacadas e desmanteladas pelo governo golpista. O exemplo mais ilustrativo foi a liquidação da CLT e dos direitos trabalhistas. Esse processo de desmonte dos direitos atingiu, com particular ênfase, o ensino público, expresso no congelamento dos investimentos federais (com efeito cascata em todos os níveis do Estado), no corte de verbas e no cerceamento da liberdade de expressão, presente não somente no reacionário Projeto Escola Sem Partido, mas em diversos episódios de perseguição e censura nas universidades pelo país a fora. A política de ataques contra a educação e as universidades públicas ainda está nos seus contornos iniciais. Não é segredo para ninguém que um dos objetivos declarados (constantemente mencionados pela imprensa capitalista e, inclusive, pelo relatório do Banco Mundial) é a privatização das universidades públicas, começando com a cobrança de mensalidades. Neste cenário, espera-se que o movimento docente construa um importante movimento de resistência e luta contra os golpistas. Entretanto, invés disso, encontramos as representações sindicais mergulhadas na mais completa confusão política. Enquanto a diretoria do ANDES-SN continua com a sua pregação sectária e ultraesquerdista de que são os “únicos combativos”, e a diretoria do Proifes acentua sua política de “sindicalismo de resultados” sem resultado algum, ainda mais em contexto de golpe; a categoria docente continua como sua representação sindical dividida e enfraquecida. Um complicador é que, ao invés de diminuir o distanciamento entre o ANDES-SN, o Proifes e os sindicatos independentes com o passar dos anos, o processo de contraposição e divisão aumentou. Mencionar o Proifes em qualquer evento do ANDES-SN seria com uma finalidade depreciativa, uma vez que o Proifes seria “governista” e “pelego”. Por sua vez, o Proifes apresentava o ANDES-SN como uma caricatura de “sindicato radical”, sem preocupação com temas da categoria, como salário e carreira. De uma forma geral, poderíamos enumerar fatos e argumentos que comprovam sem sombra de dúvidas que as acusações mútuas não somente são verdadeiras, mas que “justificariam” a divisão, e que o melhor mesmo era manter separados os “revolucionários” da esquerda pequeno burguesa que dirigem o ANDES-S e os “ex-governistas” da esquerda moderada reformista. Para piorar as coisas, a diretoria do ANDES-SN recusa-se até hoje em caracterizar que houve golpe de estado no Brasil, e continua priorizando a luta contra o governo deposto (PT), e o Proifes continua com suas investidas para retirar entidades de docentes da base do ANDES. O divisionismo: abandono sem luta da CUT pelo ANDES e a criação artificial do Proifes No passado, a criação do Proifes foi um erro colossal, que serviu tão somente para enfraquecer o movimento docente. Entretanto, é importante fazer um debate franco sobre o que levou à divisão. Esse tema é tratado com viés acusatório dentro do ANDES, agora reaberto pelo crescimento do movimento de oposição Renova Andes, que provoca pânico na diretoria do ANDES, que perde cada vez mais o apoio da base do sindicato, devido a completa omissão diante do golpe de estado. Para desviar desse debate fundamental, procura reviver a mesquinha disputa entre “nós”, os mocinhos “ revolucionários”, X “ “eles”, os “malvados governistas”, agora “ ex-governistas” Neste sentido, sem justificar a política da esquerda conciliadora ( como já disse foi um equívoco incomensurável abandonar o ANDES), podemos reafirmar sem sombras de dúvida que foi a política divisionista do PSTU e seus parceiros da esquerda pequeno burguesa os principais responsáveis pela divisão do sindicato. Em primeiro lugar, a política sectária de abandonar a maior central sindical da América Latina, a CUT, com a delirante análise que a CUT “estava falida”, que a “ ferramenta estava gasta” e que o ANDES criaria junto com meia dúzia de gatos pingados uma “central revolucionária”. O resultado foi um fracasso total e serviu apenas para isolar o movimento docente do movimento operário, uma vez que a alucinação que “as massas” seguiram a “central” nanica do PSTU nunca se concretizou. Em segundo lugar, a visão hegemônica que somente os grupos da esquerda pequeno burguesa ( PSTU e seus aliados) presentes no bloco da burocracia sindical esquerdista Andes -Ad eram os “combativos” e os “únicos” representantes da mística ANDES. Essa visão e, sobretudo, os mecanismos burocráticos presentes na estrutura sindical “horizontal” do ANDES acentuaram o caráter autoritário e antidemocrático do sindicato nacional (que sempre teve um funcionamento hibrido entre Federação e Sindicato). Por fim, o modelo adotado pela esquerda sectária era muito discurso de combatividade, muita encenação de combatividade e nenhuma atenção aos interesses reais da categoria. Esse processo era notório na base do setor das federais, uma vez que a esquerda burguesa não apresentava nenhuma preocupação com a questão sindical, como carreira, nem com os salários, apresentados como pautas “menores”. A conjunção desses fatores impulsionou uma crise da política da direção do ANDES. É importante assinalar que o Proifes foi uma tentativa de resposta impulsionada por setores do PT e da CUT, evidentemente com apoio do governo da frente popular para aproveitar dessa crise e construir um aparato sindical depois do abandono da CUT pelo ANDES. Entretanto, o Proifes nunca se apresentou como alternativa real, muito pelo contrário, representou um aborto de um movimento alternativo, pois passou a pautar a crítica em aspectos secundários (na maneira de votação nas assembleias) e também nunca apresentou uma política independente no terreno sindical e político, uma vez que defendiam uma política de colaboração
37º CONGRESSO DO ANDES-SN TERÁ INÍCIO NESTA SEGUNDA-FEIRA

Com o tema “Em defesa da educação pública e dos direitos da classe trabalhadora: 100 anos da reforma universitária de Córdoba”, na próxima segunda-feira (22), terá início o 37º Congresso do ANDES-SN. Neste mesmo dia de abertura, a diretoria da Associação dos Professores Universitários do Recôncavo (APUR) apresentará sua tese de conjuntura na plenária do congresso. O Congresso será realizado em Salvador, no campus da Universidade do Estado da Bahia (Uneb), e vai de 22 a 27 de janeiro. Para maiores informações e acesso ao caderno de textos, segue o link: http://www.andes.org.br/andes/print-principais-noticias.andes?id=170.
FELIZ 2018 – A APUR deseja boas festas e bom recesso a todos/as docentes da UFRB

Companheiros e Companheiras Estamos chegando ao final de mais um do ano, como sempre, um ano marcado por muitas lutas e resistências às investidas aos nossos direitos conquistados. Lutamos bravamente contra o governo golpista de TEMER (PMDB/PSDB/DEM), e, infelizmente, tivemos algumas derrotas, como a aprovação da Reforma Trabalhista pelo Congresso Nacional mais conservador da história do Brasil. Contudo, não nos eximimos da luta, fomos às ruas em diversas atividades para registrar nossa insatisfação contra esse ataque brutal aos trabalhadores e trabalhadoras. Mas, 2018 não promete ser mais fácil. A Reforma da Previdência pode ser votada a qualquer momento, e nós continuaremos vigilantes, prontos para enfrentarmos juntos mais essa batalha. A luta de nossos companheiros e companheiras argentinos mostra que podemos mostrar ao mundo as práticas autoritárias de parte dos governos latino-americanos alinhados ao modo de produção que lança mão de formas pretéritas de exploração para superar continuamente suas crises. Não podemos esquecer que os (as) servidores (as) públicos (as) do país continuam sendo atacados (as) em seus direitos, dessa vez com a terrível possibilidade de perdermos uma de nossas grandes conquistas, a estabilidade (Projeto de Lei do Senado n° 116/17, que prevê a perda de cargo público justificada por insuficiência de desempenho do servidor). Nós, servidores e servidoras de uma instituição de ensino superior, ainda temos que enfrentar o desmonte das Universidades Públicas, das ações em ciência e tecnologia com a notícia de que o orçamento para pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações sofreu um corte de 44% em 2017, e um novo corte de 15,5% é esperado para 2018. Pensando mais especificamente na UFRB, em nossa última conversa com o reitor, fomos informados que em 2018 quem vai controlar a disponibilidade dos recursos da UFRB será o Ministério da Educação (MEC), o que impacta diretamente na autonomia universitária. Ainda segundo o reitor, a UFRB entra em 2018 com déficit, ou seja, as dificuldades serão imensas, não temos expectativa para novos investimentos. No ponto de vista de financiamento, 2018 tende a ser pior que 2017. Mais do que nunca necessitamos avançar na unidade da nossa categoria, para nos proteger e reagir contra as ações que atacam os servidores públicos e a nossa Universidade. Precisamos defender os direitos da comunidade universitária em propostas de unidade e de construção conjunta com estudantes, servidores técnicos e comunidades. É necessário radicalizar em nossas propostas curriculares e de pesquisa e extensão de modo que sejamos ofensivos na crise. A APUR deseja boas festas e bom recesso a todos/as docentes da UFRB. Deseja que as famílias nos nutram da alegria em coletivo e as comemorações sejam para agregar forças e afetos para um ano novo que se aproxima. Não nos esqueçamos que a esperança é uma fabricação que olha para o legado do passado de resistência e acredita na força que venceu em momentos terríveis de nossas vidas. Que a crença de cada um nos nutra pelo respeito à crença e ética do outro. Que nossos filhxs, amigos, pares e familiares tenham saúde e felicidades. Que nossas vidas semeiem solidariedade e companheirismo. Que estejamos tomados em 2018 pelo espírito de luta que retomará a democracia e fará dias melhores. Desejamos um Feliz Ano Novo a todos e todas. Nenhum direito a menos!
COMUNICADO

COMO JÁ FOI COMUNICADO NA ÚLTIMA ASSEMBLEIA, INFORMAMOS QUE A SECRETÁRIA DA APUR ESTARÁ DE FÉRIAS DE 20 DE DEZEMBRO A 19 DE JANEIRO, SENDO ASSIM, A SEDE DA APUR ESTARÁ FECHADA. MAS CASO TENHAM ALGUMA URGÊNCIA, É SÓ ENTRAR EM CONTATO PELO E-MAIL: apurdiretoria@gmail.com.
DIA DE LUTA EM DEFESA DA PREVIDÊNCIA, DA UFRB E CONTRA O GOLPE!

Como ficou aprovado em assembleia na última quarta-feira (13), o dia de ontem (18) foi Dia de Luta em Defesa da Previdência, da UFRB e Contra o Golpe. No Centro de Formação dos Professores (CFP), Amargosa, houve panfletagem na porta da fábrica, pela manhã; e à noite uma roda de conversa “Em Defesa da Previdência, da Universidade Pública e Contra o Golpe”. Na verdade, o que seria apenas uma roda de conversa foi se ampliando, surgindo inúmeras demandas; o que mostra que a luta está longe de terminar. No Centro de Ciência e Tecnologia em Energia Sustentável (CETENS), Feira de Santana, ocorreu a palestra “Desmonte da Educação Pública”, com professor José Arlen Matos, dirigente da APUR.