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JÁ SÃO 300 MIL SERVIDORES PÚBLICOS EM GREVE NO BRASIL

Já são 300 mil servidores públicos em greve no Brasil A greve das universidades federais completará 3 meses na próxima terça-feira (21). Cinqüenta e seis universidades, das cinqüenta e nove existentes, esperam pela reabertura da mesa de negociação por parte do governo. Contudo, não são apenas os docentes que aguardam uma posição do governo federal, calcula-se que mais de 300 mil servidores federais estão em greve em todo o país, atingindo as mais diversas áreas: educação, saúde, segurança. A greve nas universidades federais também abarca os servidores técnicos administrativos, paralisados desde o dia 14 de junho. No dia 01 de agosto, a Federação Nacional dos Policias Federias (FENAPEF) aprovou o indicativo de greve da categoria. Estima-se que 7 mil policiais estejam paralisados. Quanto aos policiais federais rodoviários, apenas os agentes do Piauí não aderiram á greve. Os analistas e auditores da receita federal e servidores do INSS também esperam a posição do governo para voltarem ao trabalho. Mais recentemente, última terça-feira (14), os servidores da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) decidiram paralisar suas atividades; o que atinge diretamente os docentes do ensino superior. Em nota, os servidores do CAPES informaram que poderá ocorrer atraso no pagamento de bolsas, na implementação de novas bolsas, no repasse de recursos a projetos e na publicação de novos editais. Como já é de se esperar em momentos de greve, o atendimento ao público pode ser prejudicado. Nessa quinta-feira, a advocacia pública federal também discute a possibilidade de entrar em greve, caso os servidores decidam a favor, a categoria deve paralisar suas atividades até a próxima quarta-feira (22). O fato é que o país se depara com mais de vinte e cinco categorias federais em greve, reivindicando do governo não só aumento salarial, mas também melhoria nas condições de trabalho.

PAUTA LOCAL: REITORIA DISCUTE VALORIZAÇÃO, ASSISTÊNCIA E PERMANÊNCIA COM O COMANDO DE GREVE

Pauta local: Reitoria discute valorização, assistência e permanência com o Comando de Greve No último dia 15 de agosto, quatro representantes do Comando Local de Greve (CGL) reuniram-se com o vice-reitor Silvio Soglia para discussão da pauta local. Segundo Clair da Cruz, um dos representantes do CGL que acompanhou a reunião, houve avanços no debate do ponto referente às Políticas de valorização, assistência e permanência dos docentes. De acordo com Cruz, os professores reivindicam melhores condições para efetuar suas pesquisas e projetos de extensão, haja vista que são cobrados, mas não têm mínimas condições de realização de seus experimentos. Nesse ponto a reitoria se comprometeu a obter mais recursos, buscando junto à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (FAPESB), a implantação de editais específicos para favorecer a produção científica.  Outra reivindicação da categoria é a construção de políticas de fixação dos docentes no interior, o que abarca questões de moradia, segurança, transporte. Os professores ouviram como resposta a esse ponto, que a assistência à moradia é concedida apenas a professores que cumprem funções específicas. O vice-reitor ainda afirmou que a reitoria vem solicitando ajuda das prefeituras e de deputados, na doação de terrenos para construção de casas de professores, mas sem muito êxito até agora. Cruz destaca que uma preocupação muito recorrente nas reivindicações dos docentes é a questão da saúde. Os docentes da UFRB precisam se deslocar até a UFBA para realizar, por exemplo, as perícias médicas. A reitoria afirmou que estão providenciando um espaço físico no campus de Cruz das Almas. Ainda, segundo o vice reitor, há o atendimento de uma assistente social e que em breve virá um dentista e um médico. Enquanto isso não acontece, serão disponibilizados carros para o deslocamento dos docentes até Salvador, bem como uma melhoria no planejamento. Fazendo um balanço sobre as negociações com a reitoria, o professor se mostrou bastante otimista. “Se considerarmos a falta de informação que nós tínhamos, até então, a respeito da universidade, hoje, nós estamos conseguindo avançar no sentido de saber pelo menos quais são as posições da reitoria em relação a cada ponto de nossa reivindicação, isso pra mim já é um grande avanço para que, a partir disso, a gente possa tanto sugerir ações, como também cobrar da instituição que essas ações sejam feitas”; concluiu Clair.  Corte de ponto Ao ser questionado sobre o corte de ponto, Soglia informou que a reitoria teria recebido orientação da GU para encaminhar a frequência. Conforme Silvio Soglia, a reitoria decidiu não encaminhar a frequência enquanto for apenas uma orientação, caso vire uma determinação judicial, a Associação dos Professores Universitários do Recôncavo (APUR) será chamada para a discussão.

DOCENTES MANTÊM A GREVE E REIVINDICAM REABERTURA DAS NEGOCIAÇÕES

Docentes mantêm a greve e reivindicam reabertura das negociações Em assembleia dessa quinta-feira (16), os professores da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) votaram, por unanimidade, pela manutenção da greve. O principal motivo que levou a essa decisão é a reivindicação de reabertura de negociação, já que os docentes não se sentem representados pela Federação de Sindicatos de Professores de Instituições Federais de Ensino Superior (PROIFES). Há uma insatisfação geral dos docentes para com a proposta apresentada pelo Governo Federal no dia 01 de agosto, e assinada, apenas pelo PROIFES. Segundo um dos representantes do Comando Local de Greve, professor Tarcísio Cordeiro, diversas questões chaves para melhoria das condições de trabalho não foram atendidas pelo governo. “Lamentavelmente o governo sequer avança nesse ponto em sua proposição, resumindo a sua proposta a uma malha salarial, que nós consideramos apenas como reposição inflacionária, e que o governo tem chamado de reajuste salarial”, afirmou o professor. Durante a assembleia, o Comando Local de Greve, representado pelo professor Fadigas, esclareceu algumas dúvidas dos professores a respeito da proposta do governo levantadas na assembleia anterior, apresentando-a criticamente e demonstrando ponto por ponto onde os grevistas foram ou não atendidos em suas reivindicações (documento postado no site). O professor Tarcísio concluiu que os esclarecimentos apresentados foram de total relevância: “Mais uma vez os colegas entenderam o momento em que estamos vivendo e a necessidade da permanência da greve, para que haja a reabertura da mesa de negociação por parte do governo federal”. A necessidade da reabertura da mesa de negociação foi frisada pelo professor Maurício Silva, um dos representantes dos docentes do Centro de Artes, Humanidades e Letras (CAHL) no comando de greve. Para ele, a briga agora é pela reabertura das negociações, para depois se discutir questões como o calendário. O professor reforçou que a negociação deve ser feita com o Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (ANDES-SN), que é quem representa a categoria em greve e não com a Federação de Sindicatos de Professores de Instituições Federais de Ensino Superior (PROIFES), que representa docentes de somente seis instituições. Ainda assim, os docentes da Universidade de Goiás votaram pela continuidade da greve, à revelia do PROIFES e os docentes da Universidade Federal da Bahia destituíram a diretoria de seu sindicato, ligada a eles. O sindicato dos docentes da Universidade do Ceará também solicitaram desfiliação do Proifes.