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APUR

PELA DEFESA DAS LUTAS E ORGANIZAÇÕES POPULARES: NENHUM DIREITO A MENOS!

PELA DEFESA DAS LUTAS E ORGANIZAÇÕES POPULARES: NENHUM DIREITO A MENOS! A APUR vem a público posicionar-se pela defesa de procedimentos negociados e constituídos após longos anos de lutas populares. De certo não temos nem a democracia e nem as instituições que expressem de forma justa os desejos políticos e a organização da sociedade civil brasileira. De certo, sabemos das relações que hegemonizam as instituições e delas fazem uso e abrigo de seus poderes. Mas, também reconhecemos o caráter de disputa e o resultado de um patamar de direitos que não foram doados e/ou concedidos, mas originam-se das lutas e forças contraditórias deste país. È em defesa dos direitos e das lutas que originaram as instituições que hoje nos manifestamos. Não é novidade que medidas de força são aplicadas a muitos cidadãos brasileiros, muitas vezes sem o direito à defesa, motivadas por uma suposta necessidade de segurança – e isso sempre causou prisões, mortes e genocídio – mas, quando o poder mostra-se mais ‘cru’ evidencia suas tecnologias e a necessidade de pensar em direitos consolidados e procedimentos regulares. A condução coercitiva do ex-presidente Lula, a mobilidade do processo contra ele – aos quais entendemos que deve respondê-los todos, com o justo direito de defesa após as acusações – mostram a organização da elite brasileira e o uso político restrito dos poderes instituídos e a ausência de controle popular sobre as instituições. As ações estatais, que só seriam justificadas mediante caráter de exceção, tornaram-se um modelo da política contemporânea, o que imediatamente é prova da brutal crise na política e, ao mesmo tempo, das tecnologias biopolíticas do estado. De fato, as instituições políticas esgarçadas não funcionam a ponto de manter a coesão do modo de produção de riquezas, sendo necessário avançar brutalmente para restrição das liberdades individuais, justificando-se pela manutenção da ordenação, o que viola inclusive os direitos tão caros até ao liberalismo. Assim, a APUR conclama todxs xs professorxs para a defesa das lutas populares e para defesa do regular uso dos procedimentos para julgamento das lesões ao estado, ao tempo que convida a todos para pensar na falência de um modelo político centrada no modelo binário e colonizador. Atentamos para o caráter conservador das manifestações de rua quando estas são lideradas pelo que há de mais retrogrado na política brasileira, inclusive tradicionalmente acusados de serem contrários aos direitos civis, políticos e da coletividade, bem como envolvidos também em processos públicos de corrupção. A APUR reconhece que a UFRB é resultado de mobilizações do povo do Recôncavo e neste momento sua vida institucional também é violada diante do ataque às conquistas. Colocamo-nos do lado do direito de manifestação, mas evidenciamos que o projeto de Brasil que queremos não se assenta ao lado das elites e suas concepções de liberdade e democracia. Defendemos as organizações populares e coletivas, os movimentos identitários, as organizações de classe e àqueles que sempre estiveram aliados concretamente a melhores condições de vida. A crítica da crise econômica e política não pode vedar nossos olhos sobre os interesses que estão em jogo. Colocamo-nos do lado de nossos direitos e da disputa das instituições para construção de novos modelos políticos para além da restrita visão que parece nos apontar as ruas. Nenhum direito a menos! DIRETORIA DA APUR Participem da grande manifestação “O Brasil contra o Golpe”, no dia 18, às 15 horas, no Campo Grande.

PROBLEMAS CRÔNICOS DE INFRAESTRUTURA AMEAÇAM AS CONDIÇÕES DE TRABALHO E ENSINO NO CAMPUS DE AMARGOSA

Na última segunda (07), a direção da Associação dos Professores Universitários do Recôncavo (APUR) iniciou no Centro de Formação de Professores (CFP), campus de Amargosa, uma rodada de visitas pelos Centros de Ensino da UFRB para verificar as condições de trabalho e ensino da instituição. Desde o início de 2016 o CFP tem sido palco de manifestações estudantis e de denúncias de docentes referentes às questões infraestruturais para o funcionamento do Centro. A direção da APUR foi averiguar de perto a situação. OS representantes da APUR constaram que a situação do CFP continua caótica como nas visitas anteriores, com as obras interrompidas e inconclusas, com os constantes problemas do transbordamento das fossas sanitárias, com o lago destruído pelo esgoto e resíduos lançados em períodos de chuva, e com a Casa do DUCA fechada sem a devida manutenção. No que se trata do complexo esportivo que deveria ser entregue em 2012, a obra está interrompida desde o ano passado, e as ferragens e estruturas sendo danificadas pelos efeitos da exposição às intempéries da natureza. O pavilhão de laboratórios, que deveria ser entregue em junho 2015, segue em ritmo lento, e não passou da construção de sua base estrutural, quando o projetado são quatro andares. O prédio da Casa do DUCA (antigo presídio municipal doado pela prefeitura) continua nas mesmas condições da última visita do sindicato em março de 2014, fechada e sem manutenção. O que surpreendeu a direção da APUR, uma vez que, ainda em 2014, o diretor do CFP informou à comunidade a existência de um contrato vigente para a manutenção da Casa do DUCA, da ordem de R$ 1 milhão.  Ao visitar o Pavilhão de Aulas a APUR confirmou algumas denúncias e queixas feitas ao sindicato. Todos os extintores de incêndio estão vencidos, o mais recente tem data de 2014; o Laboratório de Química segue com os mesmos problemas elétricos e de acomodação inadequada de rejeitos, o que o sindicato já havia apontado em 15 de abril de 2013, quando da visita do Corpo de Bombeiros, condição que expõe toda a comunidade a situações insalubres e periculosas. Também foi possível observar salas de aula sem aparelhos de ventilação e refrigeração, queixa do início deste ano tanto de professores como de estudantes. A situação dos prédios de almoxarifado é outro problema, os dois prédios foram interditados, sendo que eles estavam sendo utilizados também como laboratórios de ensino adaptados por conta da ausência de espaços no campus. Os problemas das precárias instalações do CFP se agravam com a danificação de materiais didáticos dos cursos acomodados de forma inadequada ou por ausência de instalação, parte significativa destes materiais, inclusive, perderam suas garantias, materiais esses que superam a ordem de R$ 1,5 milhão de investimento público. Neste aspecto, os principais cursos prejudicados são Educação Física e Química. Ao encerrar a visita, os diretores da APUR ainda foram surpreendidos com um conjunto de refletores acesos no estacionamento em pleno diurno. Após consulta, foram informados que estes ficam permanentemente acesos, medida na contramão da orientação do Núcleo de Gestão de Logística Sustentável, que em fevereiro último, encaminhou e-mail aos servidores solicitando redução e economia de energia elétrica. Diante destas constatações, a direção da APUR solicitou, via ofício, no dia 08/03/16, à reitoria e à direção do CFP esclarecimentos referentes aos problemas identificados, a fim de que os mesmos sejam solucionados o mais rápido possível, para o início do próximo semestre. Após as respostas formais a direção do sindicato irá, com o apoio da assessoria jurídica, ver as formas legais para assegurar as condições de trabalho e ensino, assim como acionar as instâncias cabíveis em busca de cobrar as responsabilidades devidas. Em breve a diretoria da APUR informará o calendário de visitas aos demais Centros. Os colegas que tenham informações específicas do seu Centro de Ensino, favor enviar para o e-mail do sindicato: apurdiretoria@gmail.com, o sigilo será preservado. GALERIA DE FOTOS

NENHUMA DEMISSÃO NA UFRB: EM DEFESA DOS EMPREGOS DOS/AS TRABALHADORES/AS TERCEIRIZADOS/AS

Na última segunda (07), reunida no Centro de Formação de Professores/UFRB, a diretoria da Associação dos Professores Universitários do Recôncavo (APUR) discutiu a demissão de trabalhadores/as de serviços gerais (formalmente será a não admissão de alguns pela nova empresa) em toda UFRB. De forma veemente, a diretoria da APUR se posiciona contrária a qualquer demissão, principalmente em período de crise econômica. Em 2015, o movimento docente em greve conseguiu barrar as demissões motivadas pelo Ajuste Fiscal do governo federal e dos cortes na Educação. Conforme informações haverá uma redução em média de 20 a 30% do atual quadro, que já era insuficiente para as demandas da Universidade, e que esta situação já vem sendo discutida entre diretores/as de Centro e gestores da UFRB desde o ano passado. O que nos espanta é que ainda tem diretores e gestores que não compartilharam esta informação com a comunidade acadêmica e com os terceirizados do seu Centro, que estão com aviso prévio, consideramos isso um absurdo, já que estamos tratando de dezenas de famílias do Recôncavo que ficarão sem renda para garantir as condições mínimas de subsistência a partir dos próximos meses. Somamo-nos aos companheiros do SINDLIMP e aos demais que juntos avançam na luta contra o Ajuste Fiscal e em defesa do emprego, por isso a necessidade de atendermos ao chamado nacionalmente pela CUT e demais movimentos sociais para realização de atos no dia 31/03, em defesa do emprego e no combate ao Ajuste Fiscal. A defesa da UFRB pública e de qualidade passa hoje pela luta contra o Ajuste Fiscal, e aos cortes do orçamento na Educação, não podemos aceitar demissões e a precarização das condições de trabalho e ensino, com o objetivo de fazer superávit primário para saciar a gana do mercado financeiro.

CARTA DE UMA BAIANA DO RECÔNCAVO À UFRB

Cruz das Almas, 8 de março de 2016. CARTA DE UMA BAIANA DO RECÔNCAVO À UFRB Chegamos a outro oito de março. Neste ano sem Berta Cáceres (ambientalista de Honduras morta por causa de seu ativismo), Marina Menegazzo e María José Coni (argentinas mortas porque passeavam ‘sozinhas’). Também estamos sem estas tantas outras que fazem do Brasil o quinto país do mundo onde mais se matam mulheres, certamente, em sua maioria, negras e pobres. Somam-se a isso as mulheres transgêneros e outras não cisgêneros, que morrem todos os dias por suas diferenças. Mas, se morremos por nossas diferenças, também por elas vivemos quando as afirmamos. São tantas as diferenças que nos marcam que não podemos mais obstruí-las e silenciá-las em nome de um sujeito mulher abstrato, sem raça e sem classe. SOMOS MUITXS e maiores ainda as multiplicidades entre nós. Ensinaram-nos que esta era nossa fraqueza, mas esta é nossa força! Eis que ao afirma-las rasga-se o véu que nos separa de um novo sujeito político em plena e vital construção. Talvez seja isso que temem os praticantes do sexismo, machismo, homofobias e racismo: que a concreta percepção de nossas diferenças alimente uma luta mais forte, mais colorida, mais cheia dos variados femininos que constituem a vivencia das mulheres no mundo. Pensem comigo – as práticas que produzem o gênero em nós e definem as normas da nossa sexualidade podem ser anarquizadas pela proliferação de femininos que constituem a vida das ‘mulheres’, de tal modo que a regulação torne-se uma dificuldade do poder. O esforço das instituições e dos poderes para controlar a multiplicidade é sempre vã. Como estancar milhares coletivos de mulheres/femininos que se organizam a partir de suas experiências? Ah…não é à toa que a diversidade entre nós é tão temida! Aqui, no Recôncavo da Bahia somos milhares – no campo, no litoral, nas artes, nas macumbas, nas igrejas, nas rezas e no santo, nas escolas, nas fábricas, etc.- somos quase todas negras, somos as que ficam do lado destas que são a maioria, somos tantas, que não foram capazes de nos eliminar apesar de todo esforço colonizador. Já disseram até que Salvador, aqui bem pertinho, é a cidade das mulheres graças à autoridade e protagonismo destas na direção de suas casas e das instituições sociais. Aqui, no Recôncavo da Bahia, fazemos filhos, pesquisa e trabalho. Fazemos felicidade, mas também choramos nossas companheiras que se foram cobertas de flores que adornam o romantismo dos cavalheiros, mas também os caixões das mulheres vítimas de tantos cavalheiros. Acalmem-se: nossa luta não é contra homens, queremos mesmo é acertar o coração da cultura machista e racista deste recôncavo. Por vezes, para isso precisaremos acertar alguns homens, algozes de suas vítimas, mas não estamos em guerra contra as masculinidades, apenas estamos a construir outras autoridades. Aqui no Recôncavo somos professoras, nas redes, na universidade, com nossos projetos, nossos companheiros e companheiras, filhos e agregados, e lutamos por uma universidade de qualidade, por creche e por direitos. Somos a maioria nas pesquisas e nas salas de aula, portanto temos a dizer sobre educação, sobre crise na educação, sobre prioridade de investimentos, sobre a Bahia e a vida na Bahia. Não queremos mais as pedagogias restritas de gênero que nos conformam ao lugar subalterno das decisões acadêmicas e políticas deste estado. Não reeditaremos por mais tempo a casa grande e senzala. Ninguém dirá mais por nós. Ninguém nos dará voz. Ninguém nos dará vez. Somos nós que fazemos nossos nós. Somos nós que escolhemos as ferramentas (e também as construímos) que rasgam nossos caminhos. Somos nós que tecemos nossa indumentária e decidimos nossas parcerias. Somos nós que selecionamos as músicas que dançamos (e se dançamos). Somos nós que escolhemos a bebida e comida que comemos e bebemos. Somos nós que andamos umas com as outras (ahhh..Marina e Maria Jose não estavam sozinhas, elas tinham uma a outra!) .  Um aviso: somos nós, mulheres do Recôncavo, que queremos uma UFRB para o Recôncavo! A APUR HOMENAGEIA AS PROFESSORAS DA UFRB E DESEJA COM ELAS CONSTRUIR A AGENDA PARA A GARANTIA DOS DIREITOS E PARA A REALIZAÇÃO DA EQUIDADE DE GENERO E RAÇA NA UNIVERSIDADE! TAMBÉM ÀS TÉCNICAS E DISCENTES, NOSSA HOMENAGEM!