DIREÇÃO DA APUR INICIA VISITAS AOS CENTROS DE ENSINO DA UFRB PARA VERIFICAR AS CONDIÇÕES DE RETORNO ÀS ATIVIDADES PRESENCIAIS

DIREÇÃO DA APUR INICIA VISITAS AOS CENTROS DE ENSINO DA UFRB PARA VERIFICAR AS CONDIÇÕES DE RETORNO ÀS ATIVIDADES PRESENCIAIS

Diante da recente aprovação, pelo Conselho Universitário (CONSUNI), da retomada das atividades administrativas e acadêmicas na Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), a direção da Associação dos Professores Universitários do Recôncavo (APUR), em busca de assegurar os direitos da categoria docente quanto às condições necessárias para tal retomada, iniciou visitas às instalações dos centros de ensino da universidade.

O debate em torno das condições adequadas ao retorno presencial não é uma novidade, a APUR e sua base já vinham discutindo o tema há meses, em reuniões sindicais e assembleias. A posição da categoria docente aprovada em assembleia sempre foi em defesa do ensino presencial, desde que as condições sanitárias e de segurança estivessem garantidas. Por isso a iniciativa da direção da APUR em verificar pessoalmente a situação da cada centro.

Em relação a essas condições, a direção está observando e acompanhando dois pilares importantes: os dados epidemiológicos e as condições sanitárias e de segurança nos espaços da universidade, por isso a importância de inspecionar os diferentes espaços da universidade, os centros, as diferentes unidades de pesquisa, mas principalmente onde são desenvolvidas atividades de ensino.

O professor José Arlen Beltrão, presidente da APUR, explico que, dentre várias coisas, a direção está observando a capacidade de ventilação e circulação de ar e a salubridade dos espaços.

Centro de Ciências Agrárias, Ambientais e Biológicas (CCAAB) e Centro de Ciências Exatas e Tecnológicas (CETEC)

A visita aos centros foi feita pela representação da direção da APUR, professores José Arlen Beltrão e Leila Longo, e pela representante sindical do CCAAB, professora Talita Honorato. Acompanhados pelo servidor técnico Geraldo da Invenção, os docentes estiveram nos prédios onde acontecem as aulas, no prédio da antiga biblioteca, no bloco N, no prédio da engenharia florestal, no pavilhão de aulas, para fazer uma verificação das condições estruturais.

Segundo pôde observar a professora Leila Longo, os espaços estão com boa manutenção, com possibilidade de ventilação, com janelas abertas, estão limpas, paredes pintadas. “O problema está focado no distanciamento e no número de estudantes que vão participar das aulas, especialmente as práticas, porque os laboratórios têm dimensões menores, em torno de 40m2, e, portanto, nós precisamos respeitar um distanciamento proposto pelo próprio protocolo de biossegurança da universidade, e em relação a isso ainda não tivemos um posicionamento da reitoria”, observou a professora.

Complementando a análise da professora Leila, Talita Honorato frisou que alguns ajustes provavelmente deverão ser feitos, como, por exemplo, a colocação de telas nas janelas para evitar o acesso de pequenos animais em alguns laboratórios durante as aulas práticas. A professora ainda destacou problemas antigos: “Foram observados alguns problemas que já vêm de antes da pandemia, como problemas estruturais no teto do Pavilhão de aulas II (goteiras, ausência de forros ou forros danificados, causando alagamentos de salas de aula)”, relatou Talita.

Centro de Artes, Humanidades e Letras (CAHL)

Acompanhados pelo vice-diretor Sérgio Guerra Filho, o professor José Arlen e Jorge Cardoso Filho (representante sindical docente) fizeram uma visita ao CAHL para avaliar a infraestrutura do centro.

Na oportunidade, foram visitados o quarteirão Leite-Alves, o NUDOC, o Ateliê de Artes Visuais e as futuras instalações do CAHL no Pavilhão 2 de Julho, em São Félix. O professor Jorge avaliou que, no geral, a infraestrutura de salas de aula do CAHL apresenta condições pouco apropriadas para atividades de ensino no período pandêmico, uma vez que possuem pouca ventilação e são muito quentes. Em sua maioria, as salas são úmidas, o que favorece o desenvolvimento de crises de rinite em quem as frequenta.

Vale lembrar que tais observações já vinham sendo feitas pelos professores do centro em reuniões sindicais.

Centro de Formação de Professores (CFP)

Para Orahcio de Sousa, diretor da APUR e professor do centro, a impressão é que não houve manutenção durante o período da pandemia, e se mostrou assustado com as infiltrações no pavilhão de aulas. Diante disso, fica evidente que o centro ainda não tem as condições mínimas necessárias para o retorno das atividades presenciais.

O prédio administrativo vem enfrentando quedas frequentes na energia elétrica, mesmo durante a pandemia, período em que a demanda é reduzida. A instabilidade na rede elétrica configura-se um grande problema, pois impossibilitaria os trabalhos da direção, a utilização dos gabinetes pelos/as professores/as e o funcionamento da biblioteca.

Cabe registrar que as salas que funcionam nos modulares do centro, além dos problemas já vivenciados pré-pandemia, apresentam pouquíssima capacidade de ventilação, indicando não serem apropriadas para aulas nesse momento.

As salas do pavilhão de aulas, em sua grande maioria, possibilitam boa circulação de ar e ventilação. Nesse caso, demandam manutenção, principalmente para resolver questões relativas aos diversos pontos de infiltração.

Centro de Ciências da Saúde (CCS)

A visita ao CCS foi conduzida pelos servidores técnicos Linsmar Veiga e Luan Oliveira. De acordo as observações da diretora da APUR Djenane Brasil, o centro se encontra bem conservado, mas com alguns problemas estruturais que aparecem principalmente com as chuvas. No que diz respeito às condições de prevenção quanto ao contágio por Covid-19, o centro oferece vários totens e displays de álcool gel.

Contudo, a questão a se verificar, segundo a professora Djenane, é a manutenção dos produtos nesses dispositivos e se eles estão em quantidades suficientes com base no diagnóstico feito pelos servidores da Progep.

Uma questão importante que foi avaliada durante a visita foi a necessidade da testagem coletiva para monitorar e acompanhar a evolução dos casos de Covid. Sendo assim, a professora Djenane pontuou que essa será uma das demandas apresentada à reitoria. “Ficamos felizes em saber que existe um laboratório para testagem de Covid no CCS e supomos que, talvez, esse próprio laboratório poderia ser parceiro, poderia auxiliar a administração central nessa tarefa de monitorar os possíveis casos de Covid, monitorar a condição de saúde com relação à Covid dos diferentes servidores que atuam na universidade, dos estudantes, talvez por amostragem”, refletiu a professora.

Outras visitas e observações complementares

Além dos centros já citados, a direção da APUR esteve visitando as instalações do CECULT. Presente em todas as visitas, o professor José Arlen observou que problemas históricos permanecem e alguns outros se agravaram, como, por exemplo, infiltrações, mofo, falta de manutenção em alguns espaços e que vários espaços não são apropriados para o desenvolvimento de atividades, principalmente de ensino durante um contexto pandêmico.

De maneira geral, as visitas mostraram que, do ponto de vista de reivindicações que a categoria docente já apontava, nem todas as salas de aula reúnem ainda condições para o desenvolvimento de atividades durante a pandemia. Sendo urgente a intervenções para possibilitar a ventilação e a limpeza de alguns espaços, adequando-se ao próprio protocolo de biossegurança aprovado na UFRB.

Constatou-se também que será necessário o uso de microfone e equipamento de som em muitas salas, levando em consideração a dificuldade da projeção da voz com o uso de máscaras. Sem esses equipamentos exigiria um esforço adicional dos docentes, concorrendo para o aparecimento de doenças ocupacionais.

Inclusive, alguns centros ainda enfrentam dificuldade no abastecimento de água, o que é essencial para a retomada das atividades no campus. Outras questões como incapacidade da rede elétrica, o que vem impossibilitando o funcionamento de alguns prédios; necessidade de instalação de mais dispensa de álcool gel.

A existência de um protocolo de biossegurança na universidade é um passo importante, todavia deve ser aplicado de maneira a considerar as especificidades de cada local. Por exemplo, uma sala muito bem ventilada deve ter um protocolo diferente de uma sala que tem uma ventilação menor.

Para o presidente da APUR, as visitas foram importantes, pois revelaram problemas em diversas unidades para o retorno das atividades presenciais: “O que indica a necessidade de intervenção ou alteração nos procedimentos para garantir as condições sanitárias de segurança necessárias. Continuaremos realizando essas visitas e dialogando com a base para levantar as demandas e as reivindicações necessárias para a realização de atividades presenciais”, finalizou José Arlen.

Diante dessas observações, a APUR apresentou essas questões já na reunião com a reitoria dessa segunda-feira (13); bem como irá apresentar uma síntese durante a assembleia, na próxima quarta-feira (15), e aprofundar a discussão, e na retomada do recesso irá realizar rodadas de reuniões para aprofundar essa discussão e para levantar outras reivindicações.

Em função da reunião marcada com a reitoria para o dia 13/12, a diretoria da APUR teve que suspender a visita ao Centro de Ciência e Tecnologia em Energia e Sustentabilidade (CETENS), prevista para este dia. A visita ao CETENS será reagendada para o mês de janeiro.

A direção da APUR continua firme no compromisso em levantar essa pauta, lutar por ela e garantir que o retorno se dê com segurança. Nesse sentido, nos próximos dias, a diretoria encaminhará às direções dos centros ofício solicitando informações, dentre outras coisas, da indicação dos espaços previstos para a realização de atividades de ensino no próximo semestre, bem como a previsão de ocupação de cada um desses espaços.